"Carisma" vem do grego kharis, graça. Em teologia, o termo é entendido como um dom gratuito de Deus, uma graça dada a uma pessoa ou a um grupo de pessoas a serviço da Igreja. O PIME permaneceu sempre fiel à sua origem (missão ad gentes = missão aos não-cristãos). No primeiro artigo das Constituições atuais do PIME lê-se: "De toda a vasta gama das atividades missionárias, descritas pelo Decreto Conciliar Ad Gentes, o PIME escolhe e estabelece como seu compromisso prioritário o anúncio do Evangelho aos não-cristãos". O segundo acrescenta: "O Instituto oferecerá sua colaboração para o amadurecimento das jovens Igrejas e, especialmente, para promover a positiva participação das mesmas na evangelização dos não-cristãos, dentro e fora do seus territórios".

Estes dois artigos explicitam o carisma do PIME, particularmente após o Concílio Vaticano II, quando a crise de fé e de vida cristã, em muitos países, leva o corpo eclesial (dioceses, paróquias, seminários, ordens religiosas, associações laicais) a se unir na defesa da fé. A Redemptoris Missio esclarece: "A missão renova a Igreja, revigora a fé e a identidade cristã, dá novo entusiasmo e novas motivações. A fé se fortalece, doando-a! A nova evangelização dos povos cristãos encontrará inspiração e sustentação no compromisso para a missão universal" (nº 2). Um Instituto exclusivamente missionário, como o PIME, lembra, com sua presença e sua atividade, o dever que as Igrejas locais têm para tornar operacional este princípio.

Características fundamentais que qualificam o carisma originário do PIME.

Instituto exclusivamente missionário; isto é, não tem outra finalidade que a missão Ad Gentes, para anunciar Cristo aos povos ou ambientes culturais que o ignoram e fundar a Igreja onde ainda não existe. Em sua história, o PIME sempre esteve sujeito à Congregação para a Evangelização dos Povos (Propaganda Fide), que o envia onde os bispos pedem-lhe a presença (a decisão de ir não parte de suas conveniências). Em 155 anos, o PIME fundou 9 dioceses na Índia, 3 em Bangladesh, 5 na Birmânia, uma em Hong Kong, 8 na China continental, duas na Amazônia brasileira, uma em Mato grosso do Sul e uma no Paraná; e também colaborou para o nascimento de outras dioceses, em outros lugares do mundo não-cristão (na África, por exemplo). A exclusividade do carisma missionário significa que, no seu início, o instituto se preocupava com um campo de trabalho que fosse "terreno virgem para pregar o Evangelho. Terra onde Cristo não é conhecido". De fato, foi para as ilhas da Oceania, "entre povos distantes e abandonados". Hoje, o PIME se coloca a serviço das Igrejas locais. Em cada uma, preocupa-se prioritariamente em anunciar o Evangelho aos não-cristãos. Este carisma lembra à Igreja universal, dois mil anos depois de Cristo, o dever de viver o "primeiro anúncio de Cristo" concretamente, preocupando-se com os povos que ainda não ouviram falar do Messias, especialmente no continente asiático, onde vivem 60% de toda a humanidade e os católicos são cerca de 3% (ou 2%, se excluirmos as Filipinas). De fato, a Redemptoris Missio lembra que, "especialmente na Ásia...há grandes regiões não evangelizadas: povos inteiros e áreas culturais de grande importância em muitas nações não foram ainda atingidas pelo anúncio evangélico e da presença das Igrejas locais" (nº37). O PIME confirma que o continente asiático sempre foi a sua escolha preferencial, mas não exclusiva.

O Instituto preserva a vida comunitária. Padres e leigos vivem e trabalham juntos. Desde o início da primeira expedição na Oceania, em 1852, o Seminário Lombardo das Missões além-Fronteiras era como uma "comunidade de apóstolos", unidos pela mesma vocação e pelo vínculo de pertença. Não viviam isolados, mas eram (e são) missionários que vivem e trabalham em comunidade. Quem escolhe o PIME, não opta simplesmente por um estágio gratuito de preparação às missões, uma viagem fortuita e a garantia de vida, em caso de um forçoso repatrio, devido à idade ou a problemas de saúde. Optar pelo PIME é optar pela vida comunitária; é assumir, em certo sentido, a responsabilidade de todos os coirmãos que fizeram a mesma escolha.

Atendendo a pedidos de bispos locais e de postulantes estrangeiros, o artigo 10 das Constituições diz: "O PIME é um instituto missionário internacional. Colocando-se ao serviço da comunhão entre as Igrejas para a evangelização dos não-cristãos, acolhe e forma missionários em vários países, de modo que membros de nacionalidades diferentes operem juntos, nas mesmas tarefas da evangelização". Mas isto não era suficiente. Por exemplo, o então secretário da CNBB, D. Lucas Moreira Neves, declarava em 1984: "A função principal dos institutos missionários no Brasil é exatamente esta: estimular o Povo de Deus para que assuma e viva a consciência da sua missionariedade; fazer crescer a Igreja local, para que ela mesma se torne capaz de ajudar outras Igrejas, enviar missionários, para que sejam disponíveis em outras áreas necessitadas".

Em tempo de globalização, a origem italiana do instituto não podia mais ser um obstáculo à assunção de pessoas de outros países. O PIME já deu à Igreja do Brasil a alegria de ter o primeiro bispo brasileiro no exterior (D. Pedro Zilli), que está em Bafatá, Guiné-Bissau (África ocidental). Na Índia, há um bispo indiano (hoje emérito), na diocese de Nalgonda, responsável pela Conferência Episcopal para a evangelização dos não-cristãos.

O PIME, uma "comunidade de vida apostólica", segundo o Código de direito canônico (1983), acolhe os que, como padres e leigos consagrados, desejam dar toda sua vida às missões nas comunidades do instituto. Ainda hoje, o PIME mantém uma característica "diocesana", sobretudo nas Igrejas de missão, se bem que, como instituto, evoluiu - de modo autônomo - nas dioceses de fundação, ao passar de "Seminário Lombardo" para "Instituto Pontifício". Um sinal desta diocesaneidade é, por exemplo, o fato que, nas missões, os bispos locais enviam freqüentemente seus padres a fazerem sua experiência de ministério sacerdotal com padres do Instituto. Pelo seu modo de viver e pelo tipo de apostolado que fazem, são identificados como "clero diocesano". Outro sinal importante é que o PIME, nascido para fundar a Igreja, quando acaba sua tarefa, entrega a obra às mãos da Igreja local, deixa tudo e vai fundar outras, sem ficar com nada do que construiu. Ele não vive para si, mas para servir às jovens Igrejas locais e torná-las missionárias.

Condividi
FaceBook  Twitter  

 

 

SCHEGGE DI BENGALA

Il Blog di P. Franco Cagnasso

LETTERA DALLA MISSIONE

Il Blog di P. Silvano Zoccarato

JSN_TPLFW_GOTO_TOP

Questo sito fa uso di cookie per migliorare l’esperienza di navigazione degli utenti e per raccogliere informazioni sull’utilizzo del sito stesso.  Leggi di più